Berta Gleizer Ribeiro

Berta Gleizer Ribeiro

Berta Gleizer Ribeiro CONMC (nascida Bertha Gleizer; Bălți, 2 de outubro de 1924 — Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1997) foi uma antropóloga, etnóloga e museóloga moldava-brasileira, autoridade em cultura material dos povos indígenas do Brasil. Foi casada com o também antropólogo e senador Darcy Ribeiro.

Bertha e sua irmã mais velha Genny, foram abandonadas ainda crianças numa pequena província do Leste Europeu após o suicídio da mãe, pois seu pai já se encontrava no Brasil em busca de oportunidades de trabalho devido à perseguição antissemita que os judeus estavam sofrendo na região. Somente com a ajuda de uma organização internacional é que as duas conseguiram reencontrá-lo em 1932. Alguns anos depois, sua irmã e seu pai são presos e deportados por supostas atividades subversivas na época em que o país passava por intensa repressão política aos imigrantes judeus no início da ditadura Vargas. Ficando órfã, passa a ser cuidada por famílias de imigrantes judeus sob a tutela do Partido Comunista Brasileiro (PCB), se casando posteriormente com Darcy Ribeiro em 1948.

A carreira de Berta Ribeiro passa então a ser construída de acordo com os movimentos profissionais e políticos do marido ao longo dos anos, mas sua grande ascensão ocorre quando dele se separa na década de 70, já com 50 anos de idade. Adquire então uma nova paixão, os saberes e fazeres dos povos indígenas, e esse reposicionamento pessoal propicia a sua manifestação e produção em vários setores: acadêmico, político, cultural, editorial e artístico, se tornando posteriormente a maior especialista em cultura material indígena no Brasil do seu tempo.

Ia a campo desenvolver suas pesquisas, a partir do contato direto com diferentes povos indígenas em vários estados do país. Visitou vários museus pelo mundo, organização exposições sobre arte e cultura indígenas do Brasil, além de publicar constantemente sobre povos e costumes. Construiu também importantes bases metodológicas e de classificação para pesquisas de cultura material e na documentação etnomuseológica dos acervos etnográficos. Sua intensa produção acadêmica, artística e cultural foi decorrente da dedicação exclusiva ao seu trabalho, pois atuou em diversas frentes — como pesquisadora e formadora de coleções em museus, publicou nove livros e mais de quarenta artigos, escreveu capítulos em várias obras, além de ter sido professora universitária em cursos de graduação e pós-graduação. Até o fim da vida, atuou nos campos da antropologia, museologia, etnologia, arte e ecologia.

Foi membro da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), do Conselho Regional de Museologia do Rio de Janeiro e também do Conselho Editorial das Revistas Ciências em Museus, Ciência Hoje das Crianças e dos Anais do Museu Paulista. Fez parte da comissão julgadora de seleção para pós graduação em Artes Visuais e professora no programa de mestrado em História e Crítica da Arte na Escola de Belas-Artes (EBA/UFRJ). Foi assessora da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e chefe de museologia do Museu do Índio (MI), professora do Departamento de Antropologia do Museu Nacional e também desenvolveu pesquisas para a National Geographic Society.

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